Os crioulos luso-asiáticos numa perspetiva comparada
Hugo C. Cardoso
CELGA – Universidade de Coimbra
Data: sexta-feira 16 de março
Local: sala Anfiteatro do III (Complexo Interdisciplinar da UL)
Hora: 11.30
Duração: aprox. 45 min + discussão
Organização: ANAGRAMA
Resumo
A chegada da língua portuguesa à Ásia, em finais so século XV, inaugurou uma era de contacto linguístico da qual resultou a formação de vários crioulos de base lexical portuguesa, desde a Índia até Timor. Algumas destas línguas subsistem – com diferente grau de vitalidade – e têm sido documentadas recentemente, o que permite agora uma abordagem comparativa mais fundamentada do que nunca.
Este é um estudo-piloto no qual se estabelece um quadro metodológico comparativo que leva em linha de conta o contexto específico destes crioulos, inseridos que estão em espaços linguísticos extremamente diversos mas também numa rede luso-asiática de abrangência continental. Nele, analisaremos a estrutura de construções comparativas prototípicas em todos os crioulos luso-asiáticos para os quais dispomos de informação suficiente e suficientemente sólida: os de Diu, Damão, Korlai e Cananor [Índia], Batticaloa [Sri Lanka], Malaca [Malásia], Batávia/Tugu [Indonésia; extinto] e Macau.
O nosso estudo assenta na análise de cinco parâmetros tipológicos relevantes para a comparação de desigualdade, e tem por objetivo primeiro comparar os crioulos luso-asiáticos com o seu principal lexificador (o português) e com as línguas asiáticas dos seus respetivos contextos (o guzerate, o marata, o malaiala, o tâmul, o cingalês, o malaio e o cantonês). Para além de contribuírem para estabelecer (des)continuidades entre os vários crioulos luso-asiáticos, os resultados permitem ainda compreender a importância de fatores histórico-demográficos para as atuais configurações destas construções – aqui articulados com a noção de uma competição metatípica dinâmica entre lexificador e adstrato(s).




