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Equipa de Investigação Portuguesa: |
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| Início do Projecto: 03.2009 |
Descrição:
Este projecto tem como objectivo disponibilizar, em rede, os dados recolhidos para o Atlas Lingüístico de la Península Ibérica (ALPI) que ainda se encontram inéditos.
O ALPI, projecto idealizado por Ramón Menéndez Pidal e dirigido por Tomás Navarro Tomás, teve o seu início nos anos 30 do século passado. O seu Questionário Linguístico consta de duas partes: uma com aproximadamente 400 perguntas de fonética, morfologia e sintaxe e outra com cerca de 800 perguntas de léxico.
Grande parte dos inquéritos para o ALPI foram efectuados até 1935, altura em que o trabalho de campo sofreu uma interrupção devido à Guerra Civil espanhola e à 2ª Guerra Mundial. A partir de 1947 e até 1954 foram completados os inquéritos ainda por realizar.
A rede de pontos de inquérito do ALPI tem a seguinte distribuição pelos diferentes domínios românicos da Península: Galiza 53, Portugal 93, Astúrias, Leão e Estremadura 78, Castela e Albacete 90, Andaluzia e Múrcia 71, Navarra e Aragão 40, Andorra, Rossilhão, Catalunha, Valência e Baleares 104.
Em Portugal, a recolha foi efectuada em dois momentos distintos: em 1936, por Armando Nobre de Gusmão e Aníbal Otero; em 1953-54, por Luís F. Lindley Cintra e Aníbal Otero. Este último encarregou-se do capítulo da fonética, enquanto Nobre de Gusmão e Lindley Cintra se encarregaram da aplicação do questionário lexical. Foi nos dados obtidos nas recolhas que efectuou para este Atlas que Lindley Cintra ancorou grande parte da sua investigação em Dialectologia e Geografia Linguística; são muitos os artigos que publicou e que ainda hoje são marcos actuais, nomeadamente, a classificação dos dialectos portugueses.
Apenas em 1962 foi publicado o primeiro e único volume do ALPI, integralmente dedicado à Fonética, tendo sido interrompido o processo de publicação dos restantes volumes.
Numa perspectiva linguística é de salientar o valor do ALPI para o estudo comparado dos dialectos ibero-românicos, dada a inexistência de um atlas geral para a Península. Por outro lado, devido à acentuada evolução linguística que se verificou, em todos os domínios ibéricos, desde os anos 50 do último século, os dados recolhidos para o ALPI adquirem um verdadeiro valor documental e de grande interesse científico.
O recurso às actuais possibilidades que a tecnologia informática proporciona na execução de trabalhos de Geolinguística – quer na constituição de bases de dados, quer no processo de cartografagem automática – vem proporcionar uma efectiva disponibilização desses dados a toda a comunidade científica.
Para alcançar estes objectivos, estão previstas as seguintes etapas:
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digitalização dos cadernos de inquérito originais;
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construção de uma base de dados relacional onde serão integrados os conteúdos de cada inquérito;
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transposição das transcrições fonéticas primitivas para o Alfabeto Fonético Internacional (AFI), por forma a simplificar e a facilitar as buscas em rede; os utentes, porém, terão em simultâneo acesso à imagem original da transcrição manuscrita;
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aproveitamento do material de interesse etnográfico (ilustrações, literatura oral, etc.);
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revisão da totalidade dos dados introduzidos.
O prazo previsto para a execução do projecto é de quatro anos e meio.




